Dark Mode Light Mode

Janeiro Branco: Polícia Municipal de Aracaju promove palestra sobre a importância da saúde mental

O chamado chega e a decisão precisa ser imediata. Para quem vive a rotina da segurança pública, não há espaço para hesitação. O problema é que, muitas vezes, também não há espaço para sentir. Foi justamente para quebrar esse silêncio que o Núcleo de Atendimento à Saúde do Trabalhador (Naest) da Polícia Municipal de Aracaju (PMu), órgão vinculado à Secretaria Municipal da Segurança e da Cidadania (SSM/AJU), realizou nesta quinta-feira, 22, um evento em alusão ao Janeiro Branco, com o tema ‘Sim, é preciso falar sobre suicídio’.

A iniciativa teve o intuito de reafirmar o compromisso institucional com a saúde física e mental dos servidores. O encontro aconteceu no auditório da Casa de Ciência e Tecnologia da Cidade de Aracaju Galileu Galilei (CCTECA) e reuniu policiais municipais e agentes de trânsito da capital sergipana. Também participam do evento guardas municipais de outros municípios sergipanos. 

A palestra foi conduzida pelo capelão americano das Forças de Segurança Chad Daniel, especialista no cuidado emocional de profissionais que atuam sob pressão. Com experiência internacional no acompanhamento de forças policiais, ele trouxe uma abordagem direta sobre os impactos do esgotamento emocional. “O burnout não nasce de um dia ruim. Ele nasce de muitos dias difíceis ignorados. Profissionais de segurança são treinados para proteger, mas raramente são ensinados a se proteger emocionalmente. Cuidar da mente não é sinal de fraqueza, é uma estratégia de sobrevivência”, destacou Chad Daniel.

A atividade de segurança pública é marcada por pressão constante, exposição ao risco, jornadas intensas e decisões tomadas sob extremo estresse. Saber o que fazer no momento mais tenso pode salvar vidas, mas também cobra um preço alto de quem executa. Quando esse desgaste se acumula, o adoecimento deixa de ser possibilidade e passa a ser realidade.

Entre os participantes, o sentimento era de identificação. Para o guarda municipal da Barra dos Coqueiros, Ítalo Bruno, o encontro foi um espaço necessário de escuta. “A gente lida com pressão o tempo inteiro e muitas vezes normaliza o cansaço. Parar para refletir sobre isso, ouvir que não estamos sozinhos e que existe cuidado disponível faz toda a diferença”, afirmou.

Os agentes de trânsito também trouxeram à tona uma realidade muitas vezes invisibilizada. “Estamos diariamente no meio do conflito, do estresse do trânsito, de acidentes e perdas. Cuidar da saúde mental é fundamental para continuarmos trabalhando com equilíbrio e responsabilidade”, disse o agente de trânsito de Aracaju, Ariosto Rosa.

Segundo o coordenador do Núcleo de Atendimento à Saúde do Trabalhador (Naest), o subinspetor Radamés Soares, o trabalho é pautado na prevenção, no acolhimento e na promoção de um ambiente institucional mais saudável. “Nossa missão é promover qualidade de vida e construir um ambiente de trabalho mais saudável e equilibrado. Dentro do projeto ‘Prevenir é Proteger’, o Naest atua não só no atendimento individual, mas também na realização de palestras, campanhas educativas e eventos voltados à saúde mental e à prevenção de adoecimentos”, explicou.

Atendimentos 

Dentro desse cuidado contínuo, o Naest ocupa posição estratégica. De janeiro a dezembro de 2025, foram atendidos 485 policiais municipais, além de 248 familiares. “Esses números refletem a dimensão do cuidado que vai além do servidor e alcança quem está ao redor. O Janeiro Branco, mais do que um evento, é um lembrete necessário. Por trás da farda, existe um ser humano. Para termos uma segurança forte temos que dar proteção a quem tem como missão proteger”, ressaltou o comandante da Polícia Municipal de Aracaju, subinspetor Ricardo Silva.