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Serviço de transplantes de órgãos alcança feitos inéditos em Sergipe

O serviço de transplantes de órgãos em Sergipe está avançando cada vez mais e a saúde pública estadual tem alcançado feitos inéditos, como a realização de 47 transplantes renais em menos de um ano. Em 2026, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), deu início a realização inédita de transplantes de fígado e voltou a fazer, após 13 anos de inatividade, transplantes renais com doador falecido. Somente no dia 23 deste mês, pela primeira vez, foram executados quatro transplantes de rim com doador falecido em um único dia.

Os avanços são resultado de um contrato firmado entre o governo estadual e a Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (FBHC), com investimento anual superior a R$ 241 milhões, garantindo a realização de transplantes de rim com doador falecido e fígado, além de outros tipos de atendimentos de alta complexidade. Para o secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitermayer, a retomada dos transplantes renais com doador falecido, aliada à realização inédita de transplantes de fígado, representa um avanço histórico para a saúde pública de Sergipe.

“Estamos construindo um novo cenário para os pacientes que aguardam por esses procedimentos. Com essa iniciativa, os sergipanos passam a contar com acesso a transplantes de alta complexidade sem precisar sair do estado, permanecendo próximos de seus familiares e de sua rede de apoio. Isso contribui para diminuir deslocamentos, despesas e o impacto emocional de buscar assistência em outras localidades. No caso dos pacientes renais, o transplante representa, sobretudo, a oportunidade de superar a rotina desgastante da hemodiálise e alcançar uma melhor qualidade de vida”, destacou o secretário.

A gerente apoiadora do serviço de transplante do Hospital de Cirurgia, Aline Abreu, ressaltou a importância da parceria com a SES. “Graças à parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe, hoje, o Hospital de Cirurgia é um hospital transplantador. Através dessa parceria já realizamos 46 transplantes em 2026, sendo quatro de fígado e 42 de rim. São quase 50 vidas transformadas através do SUS”, frisou.

Em 23 de outubro deste ano, a saúde pública estadual alcançou mais um feito inédito com a realização de quatro transplantes de rim com doador falecido nesta data. É a primeira vez que, em um único dia, são executados tantos procedimentos do tipo no estado. Para o coordenador da Central Estadual de Transplantes (CET), Benito Fernandez, isso mostra que o serviço de transplantes em Sergipe é qualificado e tem condições de atender à sua demanda.

O profissional também destacou que, agora, o estado retomou a rota nacional dos transplantes com uma boa posição nacional. “Depois de tanto tempo sem realizar o transplante renal, retomamos aos poucos com o transplante com doador vivo no Hospital Universitário e, neste ano, com doador falecido no Hospital de Cirurgia. O serviço está bem organizado, mostrando que nós temos capacidade técnica de realizar o procedimento de forma organizada e de forma qualificada. Atender os sergipanos no seu próprio território é um sonho antigo e oferecer esse serviço a esses pacientes, dando mais qualidade de vida, nos gratifica muito. É para isso que nós trabalhamos”, pontuou.

O transplante depende totalmente da doação de órgãos para ser realizado. No Brasil, o procedimento é feito exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2000, quando o serviço de transplante iniciou no estado, foram realizados 166 transplantes de rim. Deste total, 47 foram somente neste ano, sendo 42 com doador falecido realizados no Hospital de Cirurgia, através do contrato firmado com a SES, e cinco com doador vivo no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), gerenciado pelo Governo Federal. Foi a primeira vez que a saúde pública sergipana alcançou este número de transplantes renais em apenas um ano.

Além disso, ao total, em 2026, Sergipe já realizou 190 transplantes, sendo 139 de córnea, 47 de rim e quatro de fígado. O estado também contabilizou 52 doadores e captou 115 órgãos, sendo quatro corações, 78 rins e 33 fígados. Atualmente, em Sergipe, 278 pessoas aguardam na fila de espera para transplantes, das quais 237 esperam por um transplante de córnea, 38 de rim e três de fígado.

A enfermeira Reuza de Oliveira é esposa do advogado e um dos primeiros pacientes a realizar o transplante de fígado em Sergipe, Ronaldo Cleber de Oliveira, de 74 anos. Segundo ela, se não fosse a realização do transplante, o seu marido teria falecido. “Ronaldo ia fazer o transplante em Fortaleza, até que o procedimento começou a ser feito em Sergipe. Então, ele foi transplantado no dia 20 de junho deste ano no Hospital de Cirurgia. Foi a salvação dele. Estamos muito felizes porque ele está muito bem. Só tenho a agradecer a família doadora e dizer que eles salvaram uma vida”, afirmou.

Caminhada pela Vida

Neste sábado, 31, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) realizou a ‘Caminhada pela Vida’, com o objetivo de promover a conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos e córneas para que os transplantes ocorram. O encontro aconteceu no Parque da Sementeira, localizado no bairro Jardins, em Aracaju, e foi organizado pela Central Estadual de Transplantes (CET), Organização de Procura de Órgãos (OPO) e Banco de Olhos de Sergipe (Bose), com apoio da Fundação Estadual de Saúde (Funesa) e da Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (FBHC).

Incentivar o diálogo familiar e a manifestação de ser doador foram os principais intuitos da ação, uma vez que a doação de órgãos só acontece mediante autorização familiar. Além da caminhada, a iniciativa contou com prática de exercícios guiada por educador físico; bate-papo sobre os processos de doação e transplantes de órgãos, e lanche. “Neste momento, buscamos disseminar informações, combater mitos e preconceitos, fortalecer a cultura da doação e sensibilizar a sociedade para a importância desse gesto de solidariedade, capaz de transformar vidas e oferecer esperança a milhares de pessoas que aguardam por um transplante”, destacou o coordenador da CET, Benito Fernandez.

A auxiliar administrativa Cícera Mary dos Santos, de 58 anos, contou que viu a propaganda da caminhada na internet e decidiu participar porque admira e apoia a causa. “Achei essa ação muito importante porque tem muita gente que não sabe a importância da doação e do transplante de órgãos. Eu conheço uma pessoa que fez transplante de rim e hoje tem uma vida melhor. Inclusive, eu já avisei a minha família que pretendo ser doadora de órgãos”, declarou.