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Eduardo Amorim, PL e o jogo duplo para o Senado em 2026

A movimentação de Eduardo Amorim em direção ao PL, já oficializada pela Justiça Eleitoral desde o início de julho, expõe mais do que um simples reposicionamento partidário: revela um cálculo estratégico que visa evitar o desgaste imediato com a ala bolsonarista mais radical, liderada em Sergipe por Rodrigo Valadares. Amorim sabe que, neste momento, não teria força para um embate direto pelo controle político e simbólico da legenda no estado.

O discurso dúbio, em que Amorim, mesmo já filiado, afirma que “poderá migrar para outro partido”, é parte desse jogo duplo. Ao esconder a filiação e evitar manifestações públicas sobre Jair Bolsonaro e seus recentes problemas com a Justiça, Amorim preserva pontes com o centro e com setores mais moderados do eleitorado sergipano, enquanto aguarda o momento de avançar sobre o campo da direita.

A estratégia, por ora, é se consolidar como o nome viável entre os eleitores que orbitam o bolsonarismo, mas sem se radicalizar. Assim, busca ganhar tempo para fortalecer sua musculatura política, costurar apoios, criar palanques e chegar competitivo à definição final do PL sobre quem será o candidato ao Senado em 2026.

Certidão eleitoral provando a filiação de Amorim ao PL. Em recente entrevista, posterior à emissão desta certidão, ele afirmou ainda fazer parte do PSDB.

É uma operação arriscada, porque o eleitorado bolsonarista valoriza a autenticidade e tende a desconfiar de quem tenta “chegar de mansinho”. Rodrigo Valadares, com todo o verniz do bolsonarismo raiz, já corre na dianteira nesse campo.

Amorim aposta que o tempo joga a seu favor. Mas o silêncio sobre Bolsonaro e a dissimulação quanto à filiação ao PL podem, no futuro, ser cobrados por um eleitor que prefere certezas a ambiguidades.