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Emília Corrêa diante da encruzilhada: fidelidade aos Amorim ou alinhamento ao novo comando do PL?

A política sergipana voltou a ganhar novos contornos após a confirmação, na noite de quarta-feira (20), da mudança no comando estadual do PL. O movimento reforça uma dúvida que já pairava desde o início do mês: qual será o posicionamento da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (PL), diante dessa nova configuração partidária?

No dia 1º de julho, em conversa com a imprensa, Emília havia anunciado suas escolhas para o Senado em 2026. O primeiro voto seria em Eduardo Amorim, incentivado por ela própria a colocar o nome na disputa. O segundo, no deputado federal Rodrigo Valadares, a quem chamou de “parceiro de grupo”. Na época, a prefeita deixou uma ressalva: “a não ser que alguma coisa aconteça nesse percurso e mude a rota”.

Essa mudança aconteceu, e de forma brusca. O PL em Sergipe deixou de estar nas mãos de Edvan Amorim, líder decisivo para a vitória de Emília em 2024, e deve passar a ser controlado pelo deputado estadual Rodrigo Valadares (União Brasil), que está em processo de mudança de partido.

O dilema é claro: Emília permanecerá fiel ao grupo Amorim, responsável por consolidar sua candidatura e garantir força política na capital, ou seguirá alinhada ao partido que lhe deu legenda, mas sob a batuta de Rodrigo? Em qualquer cenário, o risco é de desgaste.

De um lado, caso ela decida não abandonar o partido, a fidelidade aos Amorim pode representar isolamento dentro da própria legenda, que hoje se organiza em torno de Valadares e do projeto nacional do PL. De outro, manter o vínculo com o novo comando pode ser interpretado como traição política à família que a ajudou a chegar ao poder.

O cálculo de Emília não é simples. Sua gestão já enfrenta críticas relacionadas a episódios recentes, como as polêmicas em torno da locação do carro blindado e da aquisição dos ônibus elétricos, e a prefeita sabe que uma escolha mal feita pode se converter em munição eleitoral ainda mais pesada no próximo pleito.

A frase dita por ela em julho parece agora um prenúncio inevitável: a rota mudou. O que resta saber é para onde Emília Corrêa pretende conduzir seu próprio caminho dentro desse novo tabuleiro político.