O clima político em Sergipe esquentou nesta quinta-feira (21), após o governador Fábio Mitidieri (PSD) rebater duramente as declarações do ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PL). A polêmica surgiu depois de uma entrevista de Valmir à TV Atalaia, em que ele admitiu a possibilidade de lançar candidatura ao governo do estado em 2026, mesmo estando inelegível, para, posteriormente, substituir-se por seu vice.
“Eu posso também ser candidato, tá certo? (…) Se até lá eu não conseguir a minha elegibilidade, por exemplo, eu substituo pelo vice. E foi isso que eu propus ao meu partido na época”, declarou Valmir, em conversa com o apresentador Fábio Henrique.
A fala repercutiu de forma negativa e foi alvo de fortes críticas do governador durante entrevista ao jornalista Luiz Carlos Focca, na Rádio Metropolitana FM. Mitidieri classificou a postura como um desrespeito ao eleitor sergipano:
“Olha, eu entendo isso como querer enganar a população de novo. (…) Eu não posso ser candidato e não sou elegível, mas me lanço. Faltando 20 dias, saio e boto um vice. Aí você diz isso de uma forma tão escancarada. E quem tá em casa vê aquilo ali? De novo essa história”, disparou o governador.
Mitidieri lembrou que Valmir se encontra inelegível por decisão unânime do Tribunal de Justiça de Sergipe, em processo de improbidade administrativa e corrupção passiva relacionado à gestão do matadouro municipal. Embora tenha conseguido disputar a eleição municipal anterior devido a um pedido de vista que atrasou o julgamento, o ex-prefeito carrega a restrição eleitoral desde então.
Para o governador, a estratégia de lançar-se sabendo que será barrado é mais do que uma manobra política: é um insulto à inteligência da população. “Outra coisa é quando você tenta construir uma situação de ludibriar o eleitor. Ou seja, eu não posso, mas na hora… já passou esse tempo”, afirmou.
A fala de Mitidieri não apenas acentua a rivalidade política entre os dois, mas também coloca em evidência uma questão ética: até que ponto lideranças podem tratar o processo eleitoral como um jogo de conveniências pessoais, ignorando a seriedade das regras que o regem?
Se a intenção de Valmir é testar sua força política mesmo diante da inelegibilidade, corre o risco de transformar sua estratégia em um tiro no pé. O eleitorado sergipano, cada vez mais atento às contradições e estratégias de bastidores, pode não aceitar ser colocado novamente nesse “jogo de cena”.
Fica a reflexão: insistir numa candidatura sabidamente inviável é sinal de coragem política ou apenas mais uma tentativa de enganar o povo?