No último final de semana, circulou nas redes sociais uma postagem acusando o secretário de Governo da Prefeitura de Aracaju, Itamar Bezerra, marido da prefeita Emília Corrêa, de ter adquirido uma fazenda milionária em Itapicuru, na Bahia. A denúncia, no entanto, veio desprovida de qualquer comprovação documental.
Ao analisar o conteúdo, o que se percebe é a ausência de elementos mínimos para caracterizar a informação como notícia. Não havia registros oficiais, documentos ou provas que sustentassem a acusação. E sem esses elementos, não há jornalismo. O que resta é mera especulação, uma narrativa frágil que se encaixa mais no campo da desinformação do que no da apuração responsável.
O jornalismo exige paciência, cautela e compromisso com a verdade. Já houve casos em que publiquei denúncias graves após semanas de espera, justamente até que surgissem provas concretas que as sustentassem. É esse cuidado que separa uma investigação séria de um boato disseminado para gerar repercussão momentânea.
Quando acusações são feitas sem provas, todos perdem. Perde quem acusa, porque ao se comprovar a inconsistência, recai sobre si o rótulo de propagador de fake news. Perde a sociedade, que, acreditando em informações frágeis, passa a construir sua opinião em bases falsas. E perde a política, porque o debate público se torna raso, alimentando o descrédito generalizado em instituições e lideranças.
É natural a tentação de buscar o “furo”, de ser o primeiro a lançar uma informação bombástica. Mas a pressa nunca justificou a irresponsabilidade. Quando não há provas, a melhor decisão é o silêncio. O que dá credibilidade ao jornalismo não é a velocidade com que se publica, mas a solidez do que se sustenta.
A experiência mostra que uma denúncia sem comprovação, por mais estrondosa que pareça no primeiro momento, se esvazia rapidamente. Já uma denúncia sólida, amparada por documentos, pode mudar os rumos de uma gestão ou até mesmo de um país. É por isso que o jornalismo sério não se contenta com insinuações.
No fim das contas, toda denúncia sem provas, por maior que seja, acaba pequena. E todo boato que se apresenta como verdade não fortalece a democracia, apenas fragiliza ainda mais a confiança do cidadão no debate público.