O governo do Rio de Janeiro oficializou, nesta terça-feira (3), a exoneração de André Moura do cargo de secretário interino de Representação do Governo em Brasília. A decisão ocorre em meio à forte pressão da cúpula do Partido Liberal (PL) e de deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), evidenciando fissuras na base aliada do governador Cláudio Castro.
A saída de André Moura da representação em Brasília não ocorreu de forma isolada. Ele já vinha sendo alvo de resistência dentro da própria base governista, sobretudo por sua proximidade com o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil). A prisão de Bacellar, no fim de 2025, aprofundou o mal-estar político e alimentou críticas sobre a condução da articulação do Rio de Janeiro em Brasília.
Deputados do PL passaram a defender publicamente mudanças na interlocução do governo com o Congresso e com órgãos federais, alegando necessidade de “oxigenar” a representação e afastar o Estado de desgastes políticos que poderiam comprometer pautas estratégicas.
Apesar da exoneração em Brasília, André Moura permanece como secretário estadual de Governo, um dos postos mais estratégicos da administração fluminense, responsável pela articulação política interna. A permanência no cargo, no entanto, segue sob contestação. Lideranças do PL e parlamentares da Alerj mantêm pressão para que ele deixe também essa função, ampliando a crise dentro do núcleo político do governo.
Nos corredores do Palácio Guanabara, o movimento é visto como parte de um rearranjo de forças que pode redefinir o equilíbrio interno da gestão Castro, especialmente diante das disputas eleitorais que se aproximam.
Em meio à turbulência, André Moura tem buscado preservar sua trajetória política. O secretário anunciou intenção de disputar uma vaga no Senado por Sergipe, estado onde construiu sua base eleitoral. A sinalização é interpretada como estratégia de reposicionamento e projeção nacional, mantendo-se no centro do debate político mesmo diante do desgaste no Rio.
O desfecho da pressão por sua saída completa do governo ainda é incerto. O que se sabe é que as articulações de bastidores devem se intensificar nos próximos meses, com impacto direto nas alianças e composições para as eleições de 2026 — tanto no Rio quanto em Sergipe.




