Imagine você curtindo o show do seu artista favorito em praça pública. Pode ser forró, rock, sertanejo, tanto faz. Você ali, cerveja na mão, ao lado dos amigos ou da família, aproveitando o momento.
No meio da festa, o político sobe ao palco e promete trazer o artista de volta no ano seguinte. Não fala de custo, de emenda parlamentar, de nada. Só diz que o show vai se repetir. Agora pense: você, ali, naquele clima, vai bater palma ou não? Vai comemorar ou vai interromper o momento pra debater orçamento público?
É exatamente essa cena que Arthur do Val usou para chamar o povo de burro. Porque, segundo ele, aplaudir isso seria um atestado de ignorância.
Não é. Isso é desonestidade intelectual.
Quem estava ali não estava votando, não estava discutindo contas públicas, estava curtindo. Isso não significa que aplaudir o anúncio de um show seja endossar corrupção ou má gestão. Significa só que, naquele momento, quem estava lá queria ouvir música, não falar de política.
Arthur, ao usar esse recorte, não fez crítica política. Fez manipulação emocional barata. É aquele papo de “eu despertei, você ainda não”, que mascara preconceito com discurso de lucidez.
E vamos deixar claro: criticar o uso político das emendas parlamentares é necessário, sim. O Fato Sergipe foi o primeiro a denunciar o caso, o vídeo que ele reagiu é nosso. A crítica é válida, o debate é válido. O que não é válido (e nunca será) é ofender o povo, é tratar um momento de lazer como um ato de burrice coletiva.
Isso, sim, é burrice. Burrice emocional e arrogância intelectual. Porque falta empatia, falta humanidade.
Eu mesmo sou crítico, bato duro, mas sem precisar rebaixar ninguém. Liberdade de expressão não é liberdade de agressão. O que Arthur fez não é crítica política. É preconceito disfarçado de opinião. E Sergipe não precisa disso.