Aracaju amanheceu com mais um capítulo escandaloso na gestão da saúde sob o comando da prefeita Emília Corrêa. A Fundação ABM de Pesquisa e Extensão na Área de Saúde, conhecida como FABAMED, foi declarada vencedora de chamamento público para gerenciar o Hospital Fernando Franco em extrato publicado no Diário Oficial do Município no dia 3 de fevereiro de 2026.

O problema é que o contrato prevê repasses mensais de R$ 6.782.009,01, mas a FABAMED só foi qualificada como organização social (OS) dois dias depois, em 5 de fevereiro, por decreto assinado pela própria prefeita, pelo secretário de Planejamento Thiago Silva e pelo procurador-geral José Hunaldo Santos Mota.


O edital do chamamento público, criado pela própria prefeitura, estabelecia regras claras para participação: somente organizações sociais já qualificadas na área da saúde no âmbito municipal poderiam concorrer. No entanto, o extrato de resultado já tratava a FABAMED como entidade apta, listando-a como organização da sociedade civil desde o dia 3. O decreto, publicado em 5 de fevereiro, decreta expressamente que a qualificação como OS entra em vigor na data da publicação. Ou seja, a prefeitura mudou as regras do jogo no meio da partida e premiou quem ainda não tinha o direito de jogar.

Caixa preta exposta
A equipe do Fato Sergipe vasculhou documentos oficiais e compartilhou prints exclusivos, revelando que a prefeitura publicou a vitória da FABAMED como se a entidade já fosse OS, contrariando o edital que ela mesma escreveu. Esse caso contradiz diretamente o discurso proferido reiteradas vezes pela própria Emília Corrêa, que se elegeu prefeita proclamando superfaturamento em contratos do “Sistemão” da gestão anterior.
Não é a primeira polêmica envolvendo valores astronômicos na saúde municipal. O contrato de gestão 113/2022 da Maternidade Lourdes Nogueira, que Emília Corrêa detonava como vereadora por pagar R$ 6,8 milhões mensais, tinha valores praticamente idênticos aos R$ 6,7 milhões agora destinados ao Fernando Franco, um hospital de porte bem menor. A prefeitura do IGC segue gerenciando o Nestor Piva, enquanto a FABAMED assume o Franco, mantendo a lógica de repasses milionários mensais questionada há anos por sindicatos como o Sindimed e vereadores de oposição.
Os órgãos de controle agora têm a palavra. Tribunal de Contas do Estado (TCE-SE) e Ministério Público de Sergipe (MP-SE) precisam apurar se houve fraude ao edital ou desídia administrativa. O contrato de R$ 6,7 milhões por mês coloca em xeque as promessas de moralização da gestão da saúde feitas em campanha pela atual prefeita.





