Com profundo pesar, registra-se o falecimento, na manhã de hoje, do ator sergipano Orlando Vieira, um dos nomes mais marcantes do cinema e do teatro de Sergipe e do Brasil, cuja trajetória abriu caminhos e formou gerações no audiovisual local e nacional.
Nascido em Capela, Orlando Vieira construiu uma carreira que o tornou símbolo de orgulho das artes sergipanas, transitando entre palco, cinema e televisão, sempre associado à força cultural de Sergipe no cenário brasileiro. Estudou no seminário em Aracaju e, ainda jovem, direcionou a vocação para as artes cênicas, formando-se artisticamente entre Recife e Aracaju, onde consolidou o nome como ator de grande presença e versatilidade.
Orlando participou de mais de dez produções entre longas e curtas, destacando-se “Sargento Getúlio” (1983), obra que lhe rendeu o troféu Kikito no Festival de Gramado, reconhecimento nacional ao seu talento e à potência da cultura sergipana no cinema. Na filmografia, brilhou também em “Quem Matou Pixote?”, “Narradores de Javé”, “Aos Ventos que Virão” e na produção sergipana “A Última Semana de Lampião”, reafirmando a conexão entre sua arte e as narrativas do Nordeste.
Na televisão, deixou passagens marcantes em “Tereza Batista”, “Uma Mulher Vestida de Sol” e na novela “Irmãos Coragem” (1994), todas com direção de Luiz Fernando Carvalho, ampliando o alcance de sua atuação para o público de todo o país. O início no palco remonta ao circuito nordestino dos anos 1960, com premiações estudantis e presença constante em mostras e homenagens, sinalizando uma trajetória consolidada também no teatro.
Homenagens e legado
A relevância de Orlando foi reconhecida por instituições culturais de Aracaju, com múltiplas homenagens e programações inteiras dedicadas a celebrar sua obra, como o “Mês Orlando Vieira” e mostras especiais que destacaram sua história e legado. O Núcleo de Produção Digital de Aracaju leva seu nome, iniciativa que simboliza sua contribuição estrutural para o audiovisual sergipano e a formação de novas gerações de realizadores.
Mais que um ator premiado, Orlando Vieira personificou a memória afetiva e estética do cinema sergipano, inspirando atores, diretores e técnicos que encontraram na sua trajetória um mapa de profissionalismo, pertencimento e amor à arte. Sua partida deixa uma lacuna imensa, mas o legado permanece vivo em filmes, registros, homenagens e na casa de cultura que guarda seu nome e sua história.
Solidariedade
Registra-se solidariedade aos familiares, amigos, colegas de cena e à comunidade cultural de Sergipe, que hoje se recolhem para celebrar a vida e a obra de um artista maior, cuja presença seguirá iluminando telas e palcos da memória coletiva. Que a arte de Orlando Vieira siga inspirando com a mesma grandeza com que foi criada, agora como referência eterna das artes de Sergipe.




