Promover o desenvolvimento sustentável da Zona de Expansão. Esse é o objetivo da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) com as obras de infraestrutura no bairro Areia Branca. Dentro dessa proposta, na manhã deste domingo, 11, a empresa participou de uma ação do projeto Anjos do Rio, que incentiva a coleta de resíduos no Rio Vaza Barris, que margeia a região. A iniciativa buscou reforçar a educação ambiental e dialogar com a população sobre as obras em andamento.
O encontro, que também contou com a presença da secretaria municipal de Meio Ambiente (SEMA), reuniu cerca de 40 voluntários, em sua maioria pescadores da própria região, que conhecem de perto a dinâmica do rio e os impactos causados pelo descarte irregular de resíduos. A ação, realizada a cada dois meses, percorre trechos estratégicos do Rio Vaza Barris e segue até a Ilha do Veiga, ponto onde há maior acúmulo de lixo, especialmente em razão da ação das marés e dos ventos, que acabam concentrando os resíduos naquele local.
Na ocasião, a equipe da Emurb, dialogou com a comunidade e apresentou a sede temporária instalada no bairro, destinada ao atendimento de solicitações e ao esclarecimento de dúvidas durante a execução das obras de infraestrutura. A Emurb segue empenhada na promoção da educação ambiental e na ampliação do diálogo sobre as intervenções em andamento. O objetivo é priorizar o desenvolvimento sustentável e, assim, estreitar a relação com a população local por meio de diálogo, reuniões e encontros como este.
Para o idealizador do projeto Anjos do Rio, Evandro Santos, o sentimento é de dever cumprido. “A cada dia sentimos mais a necessidade de continuar, porque vemos o sucesso da ação. Pescando, encontrei uma tartaruga morta boiando, que morreu asfixiada por um saco plástico. Aquilo me sensibilizou e despertou a ideia de fazer alguma coisa”, relatou.
Segundo ele, os próprios moradores e pescadores foram fundamentais para o início do projeto. “As pessoas mais indicadas para ajudar eram os moradores da região, os pescadores, que deram o empurrão inicial. Convenci todos de que precisávamos agir. O tipo de lixo também mudou. Antes eram objetos grandes, como sofás, geladeiras e televisões. Hoje, felizmente, isso não aparece mais no mangue. Agora, o que encontramos são garrafas PET, plástico e isopor. É totalmente diferente”, destacou.
Evandro também ressaltou que a participação da Emurb na ação demonstra o compromisso com a região. “A sensação é de que tudo está sendo tratado com responsabilidade. A presença da Emurb aqui ajuda a conscientizar inclusive aquelas pessoas que ainda resistem ao progresso. Essas obras representam progresso para todos nós: canalização de esgoto, direcionamento das águas pluviais para o rio. São intervenções de grande porte que beneficiam toda a comunidade. O ribeirinho é difícil de conscientizar, mas temos lutado, porque são eles que também nos ajudam muito”, afirmou.
Moradora da região há sete anos, Martha Sales, coordenadora de uma Organização Não Governamental (ONG), destacou a importância da iniciativa comunitária. “Assim que eu e meu marido chegamos à comunidade, percebemos a necessidade de nos integrarmos aos fazeres e saberes locais. Nos somamos ao projeto porque entendemos que é uma ação fundamental. Pescadores, marisqueiras e barqueiros se unem para defender as águas e os manguezais. Sempre chamamos os órgãos da gestão municipal para desenvolverem um olhar mais atento às ações da comunidade, e é muito bom ver que isso está acontecendo”, comentou.
Já Marcos André Nascimento, vice-presidente da associação de pescadores do bairro, reforçou a importância do diálogo durante a execução das obras. “A obra é importante, mas exige cuidados, porque se trata de um rio que garante o sustento da população ribeirinha da Zona de Expansão. Sofremos muito com enchentes no passado. Hoje, está sendo construído um canal e implantado o esgotamento sanitário, mas é preciso atenção para que o impacto ambiental seja o menor possível. Este é um rio sustentável: aqui se encontra ostra, sururu, maçunim, caranguejo, todas as espécies típicas de um rio de água salgada. O diálogo entre nativos, ribeirinhos e a Emurb precisa existir. Por isso, é muito bom receber a equipe aqui”, declarou.
Obras de infraestrutura no bairro
Atualmente, o bairro Areia Branca recebe grandes obras de infraestrutura. Em agosto de 2025, foi autorizada a ordem de serviço para o início das obras de infraestrutura urbana, com investimento de R$ 76.023.073,60. O projeto compreende a implantação de sistemas de micro e macrodrenagem, pavimentação, esgotamento sanitário, rede de distribuição de água, equipamentos de acessibilidade e arborização. Ao todo, 82 ruas e travessas, somando aproximadamente 22 quilômetros de extensão, serão beneficiadas.
Além da infraestrutura viária, o bairro também recebe investimentos na área da saúde. Em 13 de junho, a Prefeitura de Aracaju autorizou a construção da nova Unidade de Saúde da Família João Bezerra, que contará com uma Academia da Cidade. As obras estão em andamento e a unidade terá capacidade para abrigar três equipes de atendimento, podendo atender até 9 mil pacientes. O investimento é de R$ 3.439.173,23.
Toda a Zona de Expansão também será contemplada com outras duas importantes intervenções: a obra de macrodrenagem, iniciada em maio de 2024, e a urbanização do canal principal e de mais 19 canais auxiliares entre os bairros Areia Branca e Mosqueiro, que conta com investimento de R$ 165 milhões. A iniciativa vai solucionar problemas históricos de escoamento das águas pluviais, evitar alagamentos e ampliar a área verde da região, com o plantio de mais de 6.500 árvores. Para isso, será implantado um sistema de macrodrenagem que beneficiará diretamente os moradores dos bairros Mosqueiro, Areia Branca e São José dos Náufragos.



