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Reflexões sobre o convite de Ricardo e o possível isolamento de Georgeo no Cidadania

Durante a entrega de obras de infraestrutura no bairro Japãozinho na última quarta, 27, o vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques, recebeu um convite inusitado: deixar o Cidadania e migrar para o União Brasil, atualmente comandado por André Moura em Sergipe. O convite partiu dos vereadores Anderson de Tuca e Isac Silveira, líder da prefeita Emília Corrêa na Câmara Municipal.

Diante desse cenário, algumas coisas precisam ser analisadas com calma. A primeira delas é que Ricardo já falou abertamente, mais de uma vez, que sua vontade é disputar uma vaga para deputado federal. Porém, se aceitar esse convite, esse sonho se tornaria praticamente inviável, já que a vaga do União Brasil deve ser ocupada pela atual deputada Yandra Moura, que busca a reeleição e, convenhamos, não deve ter dificuldades para vencer.

O segundo ponto é que, ao decidir migrar para o União, Ricardo dá mais um passo em direção ao apoio de Fábio Mitidieri, já que o partido é comandado pelo único nome confirmado até agora pelo governador como escolha para o Senado na chapa das eleições do próximo ano.

Há ainda um terceiro fator que não diz respeito diretamente a Ricardo, mas ao Cidadania. Se ele resolver cair fora, o deputado estadual Georgeo Passos, que atualmente comanda a sigla no estado, seguirá praticamente como o último nome relevante dentro do partido que ainda se opõe a Fábio. E não vamos esquecer de Samuel Carvalho, prefeito de Socorro (eleito pelo Cidadania, mas que migrou para o MDB), e da deputada Kitty Lima, que apesar de ainda estar no Cidadania, já bate continência para o comandante do PSD.

E como tiro de misericórdia, ainda existe a futura federação do Cidadania com o PSB, de Zezinho Sobral, atual vice-governador. Tanto Georgeo quanto Ricardo confirmaram que, no início de setembro, receberão o presidente nacional do partido para definir os rumos. Mas, ao que indicam as notícias nacionais publicadas em vários sites de política, essa fusão é inevitável. Só questão de tempo.

Dito isso, mesmo que Ricardo Marques decida ficar no Cidadania (e aqui já entro no campo da leitura pessoal) a ida dele para os braços de Fábio me parece inevitável. No mesmo nível da junção dos dois partidos: um, que já é base do governo (PSB) e o outro, que ainda finge ser oposição no papel, já tem a maioria dos nomes de peso no palanque de Mitidieri.

A decisão de Ricardo pode até ser complicada para quem insiste em defender sua permanência ao lado de Emília Corrêa, mas mais complicada ainda é a bravata oposicionista que Georgeo insiste em sustentar. Resta saber por quanto tempo ele vai conseguir segurar essa bandeira, com os rumos que estão sendo tomados.