Nos bastidores da política sergipana circula uma movimentação que pode alterar os rumos eleitorais do estado em 2026: a disputa interna pelo comando do Partido Liberal.
De um lado está Rodrigo Valadares, deputado federal prestes a deixar o União Brasil e que já atua para consolidar sua força dentro do PL. Do outro, Edvan Amorim, atual presidente da sigla em Sergipe. As informações indicam que Rodrigo contaria com o suporte de Eduardo Bolsonaro, enquanto Edvan teria o apoio de Valdemar Costa Neto. No entanto, alguns sinais não parecem combinar com esse arranjo.
A princípio, a disputa opõe forças aparentemente desiguais. Os Amorim são vistos como um grupo blindado, habituado a atuar com consistência nos bastidores da política sergipana. Porém, um olhar mais atento às redes sociais (que se provaram decisivas na eleição de Jair Bolsonaro em 2018) revela um cenário diferente e aponta que Rodrigo demonstra maior sintonia com o comando nacional do partido.
No dia 3 de agosto, quando o PL Nacional promoveu mobilizações em todo o país, Valdemar Costa Neto compartilhou em seu perfil as manifestações, reforçando a unidade partidária. No mesmo dia, Rodrigo Valadares seguiu a mesma linha: publicou conteúdos alinhados ao discurso nacional, evidenciando proximidade com a narrativa oficial da sigla.
Já os Amorim adotaram postura distinta. Eduardo Amorim, que mantém perfil público, não fez qualquer referência às mobilizações. No dia anterior, publicou sobre uma feira; no seguinte, sobre academia e saúde. Nenhuma menção ao movimento que dominava a agenda partidária nacional.
Essa diferença não é irrelevante. As redes sociais foram um dos fatores decisivos para a vitória da extrema direita em 2018 e continuam sendo o principal canal de mobilização do PL. Quem não entende esse jogo digital corre o risco de perder espaço.
Enquanto Rodrigo se mostra completamente alinhado à comunicação nacional, os Amorim parecem desconectados dessa estratégia. O contraste é evidente: de um lado, engajamento e sintonia; do outro, silêncio e distanciamento.
Diante desse cenário, caso a mudança no comando estadual do PL se concretize, ela não será uma ruptura inesperada, mas consequência natural de quem compreendeu o peso da comunicação digital e se alinhou ao projeto nacional da sigla.
Em política, sinais importam. E, pelo que as redes sociais já apontam, Rodrigo Valadares larga em vantagem nessa disputa.