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“A segurança é resultado de um trabalho coletivo”, afirma Danielle Garcia ao comentar declarações de André David

A entrevista concedida pelo pré-candidato ao Senado, André David, à Rádio Rio FM continua repercutindo nos bastidores da política sergipana. Nesta segunda-feira, 22, durante participação no programa Metropolitana News, da Rádio Metropolitana FM, a pré-candidata a deputada estadual, a delegada Danielle Garcia, contestou as declarações do também delegado de polícia e criticou o que classificou como uma tentativa de personalizar os resultados da segurança pública em Sergipe.

A polêmica teve início após André David reagir às declarações do governador Fábio Mitidieri e afirmar que seria “a solução” para os problemas da segurança pública. Na entrevista, o pré-candidato ao Senado destacou sua atuação operacional e declarou que ninguém teria obtido mais resultados no combate ao crime do que ele e sua equipe nos últimos anos. “Eu não mandava ninguém arriscar a vida. Eu que ia arriscar a minha, por isso que morreu muito vagabundo. Ninguém mandou mais vagabundo para o inferno do que eu”, disse André David.

Ao comentar as falas, Danielle Garcia defendeu que os avanços na segurança pública são fruto de um esforço coletivo e não da atuação isolada de um único profissional.

“As guardas municipais têm feito um papel importantíssimo, porque a Polícia Militar e a Polícia Civil não conseguem chegar a todos os lugares. Então, querer nominar um grande herói que salvou a segurança pública é um desrespeito com todos os outros profissionais. Acho que o colega teve, sim, uma participação importante em grandes operações, mas me causa certo constrangimento ouvir alguém dizer: ‘quem mandou mais vagabundo para o inferno’”, afirmou.

A pré-candidata ressaltou que a atividade policial exige preparo técnico e respeito aos procedimentos legais. “A gente estuda para ser policial. Eu não vim para a polícia para sair matando pessoas. Não é isso. Temos que investigar tecnicamente, comprovar a autoria dos crimes e conduzir os inquéritos até o fim, com condenações na Justiça. A discussão é muito mais profunda do que isso”, declarou.

Danielle também lembrou que ela e André David construíram suas carreiras na mesma instituição e atravessaram momentos difíceis da segurança pública em Sergipe. “Essa mesma polícia em que entramos — eu em 2001 e ele em 2006 — passou por momentos muito ruins. Em 2014 e 2017 tivemos alguns dos piores índices de violência do Brasil. Aracaju chegou a figurar entre as cidades mais violentas do mundo. Nós estávamos na mesma Polícia Civil. Então, não existe um herói, existem heróis. Existe um conjunto de profissionais que trabalha diariamente, incluindo os guardas municipais, que também desempenham um papel importantíssimo”, disse.

Em outro momento da entrevista, Danielle Garcia voltou a destacar o perfil de atuação de André David, mas sugeriu que o enfrentamento à corrupção exige desafios diferentes daqueles encontrados em operações policiais de grande porte.

“Nada contra o delegado André David. Pelo contrário, tivemos uma relação muito tranquila durante o período em que passamos pela Polícia Civil. Mas acho interessante essa bravata dele quando fala sobre atuação. Gostaria muito de vê-lo, por exemplo, atuando na Deotap. Porque uma operação com dezenas de policiais para cumprir prisões é diferente de enfrentar sistemas de poder, enfrentar a corrupção. Corrupção não escolhe lado. Agora, quem tem coragem de bater no peito e dizer que é contra tudo isso?”, questionou.

As declarações evidenciam uma divergência entre dois nomes conhecidos da segurança pública sergipana e que agora disputam espaço no cenário político. Ambos delegados de polícia, Danielle Garcia e André David levam para o debate eleitoral visões distintas sobre o legado e os caminhos da segurança pública em Sergipe.