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Agosto Dourado: Prefeitura fortalece ações de incentivo à amamentação e doação de leite humano

Agosto Dourado: Prefeitura fortalece ações de incentivo à amamentação e doação de leite humano

Foto: Ronald Almeida/Secom PMA

O leite materno é considerado pela medicina o padrão ouro da alimentação infantil e um dos principais aliados para o crescimento e o desenvolvimento saudável dos bebês. Neste sábado, 1º, quando é celebrado o Dia Mundial da Amamentação, data que marca o início da Semana Mundial de Aleitamento Materno e da campanha Agosto Dourado, a Prefeitura de Aracaju reforça a importância desse cuidado por meio do trabalho desenvolvido no Hospital da Mulher e Maternidade Municipal Lourdes Nogueira (Hama).

Vinculada à Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a unidade hospitalar promove ações permanentes de incentivo ao aleitamento materno, oferecendo acolhimento às gestantes e puérperas, além de manter um posto de coleta e um banco de doação de leite humano.

Rico em vitaminas, minerais, proteínas, gorduras e carboidratos, o leite materno fornece todos os nutrientes necessários para os primeiros meses de vida. O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e sua manutenção, de forma complementar à alimentação, até pelo menos os dois anos.

Além de alimentar, o leite materno fortalece o sistema imunológico e reduz o risco de diversas doenças ao longo da vida. A coordenadora de Nutrição do Hama, Greyce Milena, destaca que seus benefícios acompanham a criança por muitos anos.

“Para além dessa nutrição que vem do leite, o leite funciona para o fortalecimento do sistema imunológico, a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis ao longo da vida, obesidade e hipertensão”, explicou.

Segundo a nutricionista, o aleitamento também reduz a ocorrência de infecções e contribui para a diminuição da mortalidade infantil. Ela ressalta ainda que a amamentação representa benefícios econômicos e ambientais para as famílias.

“A fórmula infantil faz parte e é indicada em alguns casos específicos, mas, para aquelas mulheres que podem amamentar, nós mostramos que ela gera um custo que vai além da compra da fórmula. Existe o gasto com utensílios, água e energia. Além disso, há o impacto ambiental provocado pela produção e pelo transporte desses produtos até os pontos de venda”, esclareceu.

Os benefícios também alcançam a saúde da mulher. Além de favorecer a recuperação após o parto, o aleitamento materno reduz o risco de hemorragias e contribui para a prevenção de doenças como os cânceres de mama e de ovário.

No Hama, o incentivo à amamentação começa ainda na primeira hora de vida do bebê. A coordenadora médica da Unidade Neonatal, Renata Ribeiro, explica que, sempre que possível, o recém-nascido é colocado em contato direto com a mãe logo após o parto.

“Hoje a gente já faz o aleitamento materno na primeira hora de vida. Então, o bebê nasce e já vai para o peito da mãe, permanecendo com ela durante esse primeiro momento. Esse contato favorece a liberação da ocitocina, conhecida como hormônio do amor, que ajuda na descida do leite e fortalece o vínculo entre mãe e filho”, explicou.

Segundo a médica, esse início precoce da amamentação também favorece a recuperação da mulher. “Com a amamentação sendo estabelecida, a mulher vai ter menos dor no pós-parto, menor risco de hemorragia e ainda poderá receber alta mais cedo, retornando para casa com mais segurança”, destacou.

Orientação desde a gestação

O cuidado com a amamentação começa antes mesmo do nascimento do bebê. As gestantes que pretendem realizar o parto no Hama podem participar de visitas guiadas para conhecer a maternidade, sua estrutura e a equipe responsável pelo atendimento. Durante esse momento, enfermeiras do posto de coleta de leite humano realizam orientações sobre o aleitamento materno e esclarecem dúvidas das futuras mães.

A coordenadora do Alojamento Conjunto (Alcon), Cláudia Daltro, explica que esse trabalho busca preparar as gestantes para um processo que, embora natural, também exige informação e apoio. Segundo ela, muitas mulheres ainda chegam à maternidade influenciadas por crenças de que apenas o leite materno não seria suficiente para alimentar o bebê.

A enfermeira do banco de leite do Hama, Leide Jane dos Santos, afirma que uma das principais missões da equipe é desconstruir esses mitos.

“Infelizmente esse tipo de dúvida ou achismo é cultural. Então buscamos mostrar à mãe que ela realmente está produzindo o colostro e explicar a eficácia da amamentação. Também orientamos que o bebê deve mamar em livre demanda, porque seu estômago é muito pequeno e, por isso, ele procura o peito diversas vezes ao dia”, explicou.

Acompanhamento durante toda a internação

Após o parto, o acompanhamento continua de forma permanente. As equipes do Hama orientam as mães sobre a pega correta, a sucção do bebê e os benefícios do leite materno, oferecendo suporte durante todo o período de internação.

“A intenção é que a mãe saia do hospital sabendo que a pega correta garante uma amamentação eficaz, evita fissuras nas mamas e permite que o bebê se alimente adequadamente”, ressaltou Leide Jane.

Segundo a enfermeira, o atendimento é realizado durante 24 horas por dia. “Temos a equipe assistencial e a equipe do posto de coleta acompanhando diariamente todas as mães, durante o dia e à noite. Assim, elas permanecem assistidas durante todo o período de internação”, afirmou.

Além disso, as mulheres recebem orientações sobre situações que contraindicam o aleitamento e sobre o uso de chupetas, que podem dificultar a sucção do bebê.

O cuidado também envolve uma equipe multiprofissional formada por nutricionistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos, que atuam de forma integrada para oferecer o melhor suporte às mães.

“Não é apenas a equipe de Nutrição que participa desse processo. Fonoaudiologia, fisioterapia, enfermagem e os demais profissionais trabalham de forma alinhada para fortalecer e orientar a amamentação”, destacou Greyce Milena.

Leide Jane acrescenta que o acompanhamento psicológico também faz parte da assistência, especialmente nos casos em que o puerpério exige maior atenção à saúde emocional da mulher.

Acolhimento que gera confiança

A auxiliar administrativa Francielly dos Santos, de 33 anos, vivenciou esse cuidado pela segunda vez. Mãe do recém-nascido João Pedro, ela afirma que encontrou no Hama o acolhimento necessário para enfrentar as dificuldades da amamentação.

“Fui muito bem recebida aqui no Hama, desde a triagem, passando pela sala de observação, pelo centro cirúrgico, porque fiz cesariana, e também no pós-parto. As meninas do banco de leite sempre me orientam sobre a amamentação. Foi assim na minha primeira gestação e continua sendo uma experiência maravilhosa”, contou.

Ela explica que a amamentação sempre foi seu maior desafio, mas que o acompanhamento da equipe tornou esse momento mais tranquilo. “Para mim, a amamentação sempre foi a maior dificuldade. Desde a minha primeira gestação, as enfermeiras do banco de leite me orientam sobre a posição correta e a pega do bebê. Elas sempre esclarecem minhas dúvidas e eu saio daqui muito mais tranquila”, afirmou.

Assim como Francielly, outras mulheres continuam sendo acompanhadas pela equipe do Hama mesmo após a alta hospitalar. Nos casos que exigem maior atenção, também são realizados encaminhamentos para outros especialistas da rede municipal de saúde.

Cláudia Daltro reforça que nenhuma mãe precisa enfrentar esse processo sozinha. “Se a mãe perceber que o bebê não está mamando corretamente ou estiver sentindo muita dor durante a amamentação, ela pode retornar ao posto de coleta a qualquer momento para ser acolhida e avaliada. Nossa equipe funciona 24 horas por dia, sem necessidade de agendamento”, destacou.
Doação de leite

O HAMA também possui um banco de leite, que é abastecido por qualquer pessoa que queira doar leite humano. A unidade hospitalar está integrada a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), coordenada pelo Ministério da Saúde e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A rede possui mais de 225 unidades e 212 postos de coleta pelo país.

A enfermeira do posto de Coleta, Leide Jane dos Santos, disse que para realizar a doação no Hama a pessoa passa por uma avaliação e por exames para garantir que ela pode doar o leite humano. “Depois dos exames, o médico da instituição avalia esses exames. E a paciente estando apta, a gente vai na casa dela levar os frascos e toda semana a gente vai recolher”.

Atualmente, o HAMA conta com duas doadoras ativas. A enfermeira ressalta que durante as conversas com as mães reforçam a importância da doação. “Quando vemos que aquela mãe está produzindo e alimentando bem falamos da importância dessa doação para outros bebês que necessitam desse leite, principalmente os que estão nas UTIs”, disse.

Leide Jane reitera que mesmo o Hama sendo posto de coleta, a unidade não realiza a pasteurização do leite humano, que serve principalmente para os recém- nascidos que estão internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Esse processo aquece o alimento á 62,5°C por 30 minutos e depois resfria para menos de 5°C, com o objetivo de eliminar 100% dos microrganismos ruins.

“Como não realizamos a pasteurização, estamos vinculados ao banco de leite estadual, que realiza esse processo. Mas os leites que os bebezinhos da UTI do nosso complexo neonatal recebem, são das doadoras que realizam o parto aqui”, completou.