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Enquanto uma mulher não for livre, nenhuma será

Foto: Ana Lícia Menezes

Por Edvaldo Nogueira

Eu sempre acreditei que a política precisa servir para melhorar a vida das pessoas. Para mim, política é assumir um compromisso com a sociedade e, depois de eleito, corresponder àquele compromisso, realizar, fazer. Foi assim que procurei agir durante toda a minha trajetória, como vereador, vice-prefeito e prefeito de Aracaju. E é assim que penso também quando falo sobre a luta das mulheres.

Na última sexta-feira, 11, tive a oportunidade de estar ao lado de mais de 400 mulheres de diferentes municípios de Sergipe, em Aracaju. Foi um encontro de escuta, de diálogo e de construção de propostas. Mulheres com histórias diferentes, de cidades diferentes, de profissões diferentes, mas que trouxeram uma preocupação comum: a necessidade de avançarmos ainda mais na garantia de direitos, na igualdade e, principalmente, na proteção das mulheres.

Eu fiz questão de ouvir. Porque acredito que quem pretende representar as pessoas precisa, antes de tudo, saber ouvir as pessoas. E ouvir as mulheres significa compreender os problemas que elas enfrentam no dia a dia e transformar essas demandas em políticas públicas. Não quero chegar ao Senado com uma lista pronta de soluções para problemas que muitas vezes quem está em Brasília não conhece. Quero levar para lá aquilo que as mulheres de Sergipe estão dizendo e juntar isso à experiência que acumulei como gestor.

Foto: Ana Lícia Menezes

E o encontro aconteceu justamente em uma semana em que a realidade nos mostrou, mais uma vez, por que essa discussão é tão urgente. No sábado, 12, uma mulher foi encontrada morta com ferimentos provocados por arma branca, em Estância. E segundo informações divulgadas, o companheiro da vítima é apontado como principal suspeito.

É muito difícil falar sobre esse assunto sem sentir indignação. Nós não podemos aceitar que a violência contra a mulher se torne uma notícia comum. O feminicídio está aumentando de maneira assustadora. E, diante disso, não podemos simplesmente esperar que aconteça mais um crime para depois discutir o que poderia ter sido feito.

Eu acho que temos que agir em duas frentes. A primeira é a legislação. A legislação brasileira já é dura, mas nós podemos discutir o seu aperfeiçoamento e medidas ainda mais firmes contra quem pratica esse tipo de crime. Mas existe uma segunda questão, que para mim é fundamental: a consciência social. Não adianta apenas criar uma lei e achar que o problema está resolvido. É preciso conscientizar a sociedade, mudar comportamentos e fazer com que homens e mulheres assumam uma posição diante dessa violência. E, principalmente, os homens precisam entender que têm uma responsabilidade muito grande nessa luta.

Eu acredito profundamente na igualdade entre homens e mulheres. Isso, para mim, não é uma questão de discurso. É um valor que faz parte da minha formação. Há uma passagem da Bíblia que sempre me chamou muita atenção: quando Jesus acolhe Madalena. É um gesto que mostra a igualdade entre homem e mulher. Homens e mulheres são iguais. Não existe uma razão para que uma mulher seja tratada como inferior, desrespeitada ou submetida à violência.

Foto: Ana Lícia Menezes

E quando a gente fala em combater a violência, precisa falar também sobre aquilo que o poder público pode fazer na prática. Como prefeito de Aracaju, eu tive a oportunidade de construir uma política de proteção às mulheres que foi além de uma ação isolada. Criamos a Patrulha Maria da Penha e avançamos na atuação da Guarda Municipal, transformando a Guarda em um instrumento efetivo de segurança pública e de colaboração com as demais forças.

Também inauguramos o primeiro Centro de Referência de Atendimento à Mulher, o CRAM, e implantamos o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e o Protocolo de Atendimento à Mulher Vítima de Violência. São documentos decenais, construídos em rede, porque eu acredito que uma política pública precisa ter planejamento e continuidade. Não adianta cada governo chegar e começar tudo de novo. É preciso construir uma política, juntar os serviços, estabelecer responsabilidades e fazer com que a mulher seja atendida de maneira adequada quando procurar o poder público.

Na saúde, também deixamos uma estrutura importante para as mulheres de Aracaju. A Maternidade Lourdes Nogueira passou a oferecer atendimento especializado e ampliou a capacidade da rede municipal para cuidar da saúde materno-infantil. E também avançamos no uso da tecnologia como instrumento de proteção, com o aplicativo SOS Maria da Penha, pensado para aproximar a mulher da rede de proteção e permitir uma resposta mais rápida diante de uma situação de violência.

Tudo isso tem uma razão: quando uma mulher procura o poder público, ela precisa encontrar uma porta aberta. Ela precisa saber para onde ir, quem vai atendê-la e que providência será tomada. Não pode ser uma peregrinação de um serviço para outro, contando a mesma história várias vezes e, muitas vezes, sem encontrar uma resposta. É por isso que eu sempre defendi planejamento, integração e trabalho em rede.

Essa experiência de gestão é muito importante para mim porque eu não acredito em política feita somente de discurso. Eu sou um político que gosta de estudar, analisar, planejar e executar. Eu acredito que ser prefeito, ser executivo, é dar resultado para a sociedade. Foi isso que procurei fazer em Aracaju. E é essa experiência que quero levar para o Senado.

Quero ser um senador que possa ajudar a transformar as necessidades das pessoas em ações concretas. E nessa discussão sobre as mulheres, precisamos olhar também para os municípios. É na cidade que a vida acontece. É ali que a mulher mora, trabalha, cria os filhos, procura atendimento, precisa de segurança e muitas vezes procura pela primeira vez o poder público quando está vivendo uma situação de violência. Por isso, não podemos pensar as políticas de proteção às mulheres somente de Brasília para baixo. Precisamos fortalecer quem está na ponta e criar condições para que os municípios possam atuar.

Eu sei, pela experiência que tive na Prefeitura, que uma coisa é anunciar uma política e outra coisa é fazer essa política funcionar. É preciso ter equipe, estrutura, planejamento, acompanhamento e responsabilidade. Quando você governa, tem que fazer. Tem que acompanhar. Tem que cobrar resultado. É essa maneira de pensar que quero levar para o Senado.

Mas também precisamos compreender que o enfrentamento à violência contra a mulher não será resolvido somente pelo poder público. A sociedade precisa participar. A família precisa participar. A escola precisa participar. E os homens precisam participar ainda mais. Se nós queremos diminuir o feminicídio, precisamos discutir o comportamento que leva à violência e a forma como os homens se relacionam com as mulheres.

Quando penso na luta das mulheres, penso em uma responsabilidade que precisa ser permanente. Não podemos esperar mais uma mulher ser assassinada para discutir feminicídio. Não podemos esperar uma situação de violência se agravar para agir. Precisamos trabalhar antes, conscientizar antes, proteger antes e criar condições para que as mulheres possam viver com liberdade, igualdade e dignidade.

Essa é uma luta que precisa envolver todos nós. É uma luta do Estado, mas também é uma luta da sociedade. É uma luta das mulheres, mas também é, principalmente, uma responsabilidade dos homens. E é uma luta que precisa ser enfrentada com coragem, com trabalho e com resultados.