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Prefeitura investe na independência financeira para ajudar mulheres a romperem o ciclo da violência

Foto: Marcelle Cristinne

Romper o ciclo da violência contra a mulher exige uma atuação integrada, e a autonomia financeira é um dos principais caminhos para esse processo. Com esse objetivo, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Patrulha Maria da Penha (PMP) da Guarda Municipal de Aracaju (GMA), vinculada à Secretaria Municipal da Segurança e Cidadania (SSM), tem ampliado as ações voltadas à inserção das mulheres assistidas no mercado de trabalho, disponibilizando vagas de emprego por meio do aplicativo S.O.S. Maria da Penha e promovendo cursos de qualificação com foco no empreendedorismo.

Além de oferecer suporte em situações de emergência, o aplicativo conta com uma plataforma de oportunidades de emprego destinada às mulheres acompanhadas pela Patrulha. As vagas também são encaminhadas por meio do WhatsApp, facilitando o acesso das assistidas às oportunidades disponíveis.

Atualmente, a Patrulha Maria da Penha acompanha 44 mulheres com medidas protetivas de urgência encaminhadas pelo Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE). Desde a criação da guarnição, mais de 350 mulheres já receberam acompanhamento da equipe especializada.

Segundo a coordenadora da Patrulha Maria da Penha, subinspetora Sabrina Smith, a dependência financeira é um dos principais fatores que dificultam o rompimento de relacionamentos abusivos.

“Muitas mulheres registram a ocorrência, mas logo pensam em como irão sustentar a si mesmas e aos filhos. Essa dependência econômica é uma realidade que precisamos enfrentar. Ao facilitar o acesso ao emprego, buscamos oferecer condições para que elas reconstruam suas vidas com mais autonomia”, afirma.

De acordo com a subinspetora, esse é o perfil predominante entre as mulheres acompanhadas pela Patrulha. “Percebemos que grande parte das assistidas não possui renda fixa. Por isso, intensificamos a divulgação de vagas de emprego como uma forma de reduzir essa situação de vulnerabilidade e ampliar as possibilidades de independência financeira.”

Para ampliar as oportunidades, a Patrulha atua de forma integrada com a Secretaria Municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres (SerMulher), a Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat), além de instituições públicas e empresas privadas. O banco de vagas do aplicativo é alimentado continuamente por esses parceiros, enquanto a equipe da Patrulha também realiza o envio das oportunidades pelo WhatsApp.

“Buscamos parcerias com supermercados, farmácias, empresas, além do Tribunal de Justiça, Ministério Público e outras instituições. Sempre que recebemos novas vagas, elas são disponibilizadas tanto no aplicativo quanto pelo WhatsApp, que acaba sendo um canal muito utilizado pelas assistidas”, explica Sabrina.

Um dos desafios identificados pela equipe é ampliar o uso da plataforma digital. Segundo a coordenadora, muitas mulheres utilizam o aplicativo apenas em situações de emergência e desconhecem a funcionalidade voltada à empregabilidade.

“Sempre que nossas equipes visitam uma assistida, mostramos como acessar o aplicativo, verificamos se ele está funcionando corretamente e explicamos como consultar as vagas. Queremos que elas percebam que a ferramenta também pode ajudá-las na reconstrução da própria vida.”

Além da intermediação para o mercado de trabalho, a Patrulha orienta as mulheres sobre programas sociais e benefícios assistenciais que podem contribuir para a superação da situação de vulnerabilidade.

“Recebemos muitas mulheres que desconhecem seus direitos. Durante ações e atendimentos, realizamos os encaminhamentos necessários para acesso ao Cadastro Único, Bolsa Família, Auxílio Gás e ao Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), quando cabível, especialmente para mães de crianças atípicas”, conclui a subinspetora.

Com iniciativas voltadas à geração de renda, ao empreendedorismo e ao acesso a políticas públicas, a Prefeitura de Aracaju fortalece a rede de proteção às mulheres em situação de violência, promovendo condições para que elas conquistem autonomia financeira e possam reconstruir suas trajetórias com mais segurança e dignidade.