*Por Delegada Katarina
Quem espera por uma cirurgia conta o tempo de outro jeito. Conta as noites sem dormir, os dias afastado do trabalho, a angústia da família e o medo de a doença avançar. Quem procura uma consulta para um filho ou um exame para a mãe não quer saber como o orçamento é organizado. Quer atendimento. Foi pensando nessas pessoas que fiz da saúde uma das prioridades do meu mandato.
Ao longo desses anos, destinei R$ 314 milhões para Sergipe, em diferentes áreas, com atenção especial à saúde com mais de R$ 160 milhões. Não apresento essa soma como troféu. Esse valor revela o tamanho da responsabilidade assumida. Emenda parlamentar é instrumento para levar estrutura e serviços a quem precisa. Se o recurso não chega à ponta, o número perde o sentido.
Essa escolha alcançou instituições que fazem parte da vida dos sergipanos, como cerca de R$ 11 milhões destinados ao hospital da rede estadual, sendo R$ 6 milhões para o programa “Opera Sergipe”; quase R$ 3 milhões ao Hospital e Maternidade Santa Isabel; R$ 1,3 milhão ao Hospital de Cirurgia; R$ 1,5 milhão ao Hospital Amparo de Maria; R$ 1 milhão para o Hospital do Amor, entre outros, como o Grupo de Apoio à Criança com Câncer de Sergipe (GACC), a APAE, além das redes municipais de saúde, para as quais enviei, só no mês passado, R$ 15 milhões.
Cada uma atende pessoas com necessidades distintas, da gestante à criança em tratamento oncológico, da pessoa com deficiência ao paciente que aguarda um procedimento especializado.
Na rotina dessas unidades, os recursos ajudaram a viabilizar exames, cirurgias, compra de equipamentos e atendimentos. A discussão sobre saúde pública mudou. Há alguns anos, o debate era construir hospitais. Hoje, isso já não basta. Uma unidade cumpre seu papel quando está ligada a uma rede capaz de diagnosticar, encaminhar e tratar sem impor ao paciente uma peregrinação.
O desafio é integrar os municípios, fortalecer a atenção básica, ampliar a oferta de especialistas, investir em tecnologia e impedir que um problema tratável se transforme em emergência pela demora no atendimento.
Talvez essa percepção venha da minha própria trajetória.
Em mais de vinte anos na Polícia Civil, vi acidentes, violência doméstica, crimes e tragédias familiares. Em muitos desses casos, o desfecho dependia mais da rapidez com que o atendimento médico chegava.
Em casa, a saúde também nunca foi assunto distante. Meu filho escolheu exercer a medicina e, nas conversas que temos, uma constatação que sempre aparece é que nenhum médico consegue trabalhar sozinho. É preciso estrutura, equipes valorizadas, equipamentos, planejamento e financiamento contínuo.
Ainda há muito a fazer. Interiorizar a saúde, por exemplo, é uma necessidade de Sergipe, onde cerca de 73% da população vive fora da capital, segundo o IBGE. O endereço de uma pessoa não pode definir suas chances de receber diagnóstico e tratamento a tempo. Precisamos levar serviços especializados para mais perto das cidades onde as pessoas vivem e reduzir o tempo entre a suspeita de uma doença e o início do cuidado.
A prioridade à saúde da mulher responde a uma necessidade urgente. Somente em 2026, o INCA estima 550 novos casos de câncer de mama e 230 de câncer do colo do útero em Sergipe. Diagnóstico precoce, nesse cenário, significa ampliar as chances de tratamento e de cura.
Também seguirei priorizando a atenção às crianças. Isso inclui ampliar o acesso a exames preventivos, pré-natal, assistência materno-infantil, diagnóstico precoce e tratamento adequado. Filas diminuem quando há serviços funcionando, equipes preparadas, equipamentos disponíveis e cooperação entre União, Estado, municípios e instituições.
Meu dever é usar os instrumentos do mandato para fazer essa rede avançar e cobrar que o atendimento chegue a tempo.
Os recursos destinados a Sergipe são parte de um trabalho que deve continuar com seriedade, fiscalização e escolhas guiadas pelas necessidades da população. O centro de cada decisão seguirá sendo o cidadão.
*Katarina Feitoza é delegada da Polícia Civil de Sergipe há mais de 20 anos, é deputada federal e ocupa a terceira secretaria da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.





