SES já distribuiu mais de 20 mil unidades do teste molecular DNA-HPV e estado já realizou 2.935 exames
A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Diretoria de Atenção Primária à Saúde (Daps), realizou, nesta terça-feira, 3, uma agenda territorial com o Ministério da Saúde (MS) e alguns municípios sergipanos que já iniciaram o rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste molecular para identificação de DNA do papilomavírus humano (HPV).
O teste molecular DNA-HPV, que chegou no Sistema Único de Saúde (SUS) neste ano, é um exame moderno, capaz de identificar a presença de 14 genótipos do HPV, principal causador do câncer do colo do útero. No SUS, o teste é indicado para pessoas com útero na faixa etária de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual.
Segundo a referência técnica em Saúde da Mulher na Atenção Primária à Saúde (APS) da SES, Elline Alves, o objetivo do teste é identificar o vírus antes do desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas. “Esse teste chega para substituir gradativamente o citopatológico, conhecido como Papanicolau, e vem com uma nova tecnologia. A partir do momento que você faz o teste e ele dá negativo, só será necessário realizar uma nova coleta em cinco anos. Então, o exame vem para a gente ganhar tempo. Tempo é vida e saúde. Quanto mais rápido a mulher tiver o diagnóstico do DNA do HPV, mais rápido conseguimos ofertar um tratamento oportuno para ela”, explicou.
Em Sergipe, a SES já recebeu 27.500 testes, enviados pelo MS, e já distribuiu mais de 20 mil unidades para as regiões de saúde de Aracaju e Lagarto. A implantação está ocorrendo de forma faseada e, por enquanto, os seguintes municípios já contam com o exame em suas Unidades Básicas de Saúde (UBSs): Aracaju, Itaporanga d’ajuda, São Cristóvão, Barra dos Coqueiros, Lagarto, Divina Pastora, Laranjeiras, Riachuelo, Poço Verde, Riachão do Dantas, Simão Dias e Tobias Barreto. A expectativa é de que cheguem mais 20 mil kits no próximo ano e o teste seja ampliado para demais municípios do estado.
A reunião contou com apresentação do cenário de implantação do teste em Sergipe, fluxos de atendimento e teve como foco a implementação dos testes de autocoleta para grupos específicos, como populações cigana, trans e em situação de rua. Ao total, o estado recebeu 300 kits de autocoleta que serão distribuídos de maneira estratégica.
Para a consultora técnica do Ministério da Saúde (MS), Swamy Palmeira, a implementação do teste de autocoleta tem o objetivo de alcançar mais mulheres e promover mais equidade no acesso à saúde. “Com o dispositivo de autocoleta, buscamos alcançar todas as mulheres, olhando suas vulnerabilidades territoriais e culturais, com um objetivo único: não deixar nenhuma mulher para trás. Então, esse é um trabalho conjunto que busca o fortalecimento da política pública dentro do estado”, ressaltou.
A agenda reuniu os municípios que já iniciaram o rastreamento do câncer do colo do útero através do teste molecular DNA-HPV. A referência técnica em Saúde da Mulher de São Cristóvão, Maria Helena Andrade, destacou a importância da autocoleta. “O teste com autocoleta é muito importante porque tem muitas pessoas que não conseguimos alcançar, então, assim, chegamos a vários públicos e conseguimos ampliar a prevenção do câncer do colo do útero”, frisou.
Análise das amostras e resultados
As análises das amostras coletadas são realizadas no Laboratório Central de Saúde Pública de Sergipe (Lacen), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Caso o resultado identifique algum tipo do vírus, a amostra é encaminhada para a citologia oncótica para detecção de lesões pré-malignas. Nos casos em que os genótipos 16 e 18 do HPV, os tipos de alto risco oncogênico mais perigosos e agressivos do vírus, são identificados, a paciente é encaminhada para o exame de colposcopia em algum centro especializado, como o Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism).
Até o momento, já foram realizados 2.935 testes em Sergipe, sendo 2.571 com resultado negativo; 356 positivos; 88 positivos para o genótipo 16 e 16 positivo para o genótipo 18. É importante destacar que um mesmo teste molecular de DNA-HPV pode detectar mais de um genótipo do vírus, ou seja, uma mesma pessoa pode apresentar infecção por diferentes genótipos simultaneamente.





