Ex-prefeito afirma que não determinou desligamentos e atribui repercussão à imprensa; episódio, porém, reacende debate sobre seu comando político no grupo
O ex-prefeito de Itabaiana e pré-candidato ao Governo de Sergipe, Valmir de Francisquinho, negou ter pedido a exoneração de uma servidora municipal e de sua filha após a divulgação do caso, divulgado pelo Fato Sergipe, e que ganhou repercussão nas redes sociais e no meio político.
Questionado durante a convenção que oficializou sua candidatura ao governo, Valmir afirmou que a informação foi distorcida e negou qualquer participação na decisão administrativa. “Eu não sou o prefeito. A imprensa, aqueles que estão no bolso do governo, é que estão tentando colocar. É aqueles homens de comunicação e responsabilidades. Eu não disse. Ela me ligou brincando e tudo, porque ela é minha amiga pessoal. Eu sou amigo da família, amigo dela, há muito tempo. Nunca tive problema com ela não”, declarou.
O episódio teve início após Rita, servidora municipal e apoiadora histórica de Valmir, relatar ter sofrido pressão depois de publicar, nas redes sociais, uma fotografia ao lado do pré-candidato a deputado estadual Zominho.
Segundo a denúncia, Valmir teria enviado mensagens de áudio pelo WhatsApp demonstrando insatisfação com a postagem. Ainda de acordo com o relato, ele teria ido à residência da mãe da servidora e afirmado que a filha poderia perder o cargo caso a família mantivesse o apoio político ao pré-candidato.
Pouco tempo depois, Beatriz, filha de Rita e servidora da Creche Municipal John Lennon, foi exonerada da Prefeitura de Itabaiana.
Apesar da repercussão do caso e da circulação de um áudio atribuído a Valmir, o ex-prefeito nega ter solicitado qualquer exoneração e ressalta que Rita é uma amiga pessoal.
Narrativa abre espaço para questionamentos políticos
A versão apresentada por Valmir, entretanto, produz um efeito político que também desperta questionamentos. Se, como afirma, ele não pediu a exoneração e a decisão foi exclusivamente da gestão do prefeito em exercício Zequinha da Cenoura, fica a dúvida sobre o grau de influência que ainda exerce dentro da administração municipal construída sob sua liderança ao longo de 13 anos.
Afinal, se Rita é sua amiga pessoal e ele afirma não ter desejado sua saída nem a da filha, como não conseguiu impedir a exoneração de pessoas próximas justamente em uma gestão conduzida por seu sucessor político?
A narrativa adotada pelo ex-prefeito acaba alimentando duas interpretações: ou Zequinha da Cenoura tomou a decisão de forma independente, demonstrando autonomia em relação ao grupo político que o levou ao comando da Prefeitura, ou Valmir já não possui a influência que muitos atribuíam a ele dentro da administração municipal.
Em qualquer dos cenários, a explicação apresentada pelo pré-candidato ao Governo de Sergipe acaba abrindo questionamentos políticos, ao colocar em discussão a força de sua liderança entre os próprios aliados.
Confira o vídeo do Fato Sergipe com mais detalhes sobre o caso. Clique aqui




