No dia 14 de junho, quando é celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue, o gesto voluntário de doar ganha ainda mais significado para as pessoas que dependem das transfusões para continuar com a esperança nos seus tratamentos. Em Sergipe, o Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), unidade gerida pela Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH), é responsável pela captação, processamento e distribuição de sangue para todo o estado.
Uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas, contribuindo para atendimentos de urgência e emergência, cirurgias, tratamentos oncológicos, transplantes e pacientes que necessitam de transfusões.
O Dia Mundial do Doador de Sangue intensifica a importância do ato de doar. Diariamente, pacientes estão em unidades hospitalares precisando de transfusão. De acordo com o superintendente do Hemose, Richer Mota, a data reforça a importância da doação regular para manter os estoques abastecidos e garantir assistência aos que precisam das transfusões. “Para o paciente que está passando por um tratamento de saúde, receber uma transfusão sanguínea pode fazer toda a diferença. E nós, no Hemose, fazemos a ligação entre esse ato de doação de sangue e a esperança que ele leva para o paciente que precisa do sangue”, explicou.
Para a jornalista Júlia Costa e a advogada Wanna Cruz, a doação de sangue representou muito mais do que um ato de solidariedade. Ela foi essencial para que ambas enfrentassem o tratamento da anemia aplástica, uma doença rara que compromete a produção das células sanguíneas pela medula óssea.
As duas se conheceram por meio de uma rede social, quando Júlia viu uma publicação em que Wanna buscava doadores de sangue para auxiliar no próprio tratamento. “Eu já tinha passado por todo meu tratamento quando vi a postagem dela e resolvi compartilhar. Ela agradeceu e começamos a conversar. Quando recebeu o diagnóstico, ela disse que era o mesmo que eu tinha tido. A partir daí, tivemos muita troca, fui compartilhando minha experiência, mostrando caminhos e informações que poderiam ajudar no tratamento dela, apresentando o ambulatório do Hemose”, relembra Júlia.
O que começou como uma troca de mensagens se transformou em amizade e apoio mútuo durante um momento difícil. Diagnosticada durante o último período da faculdade, Wanna conta que o início da doença foi marcado por incertezas e pelo sentimento de solidão. “Você acha que só você está passando por aquilo. E quando descobre que tem uma doença rara, a sensação é ainda maior. Eu não conhecia ninguém da minha idade vivendo aquela situação. Conhecer Júlia me mostrou que ainda existia vida apesar da doença. A Júlia me mostrou que era possível continuar sonhando, estudando e construindo uma carreira. Isso me deu esperança para continuar”, contou a advogada.
Transfusões e acolhimento durante o tratamento
O Ambulatório do Hemocentro de Sergipe presta atendimento para pacientes portadores de doenças hematológicas, com equipe multiprofissional composta por médicos oncohematologistas, pediatra, enfermeiros, odontólogo, psicólogo, assistente social, fisioterapeuta, farmacêuticos, dentre outros.
Durante o tratamento, Júlia e Wanna precisaram de transfusões frequentes. Ao longo do período, o Hemose também se tornou um espaço de acolhimento para as duas. Diagnosticada ainda na adolescência, a jornalista lembra que encontrou na unidade um ambiente onde se sentia segura e amparada. “O Hemose foi uma abertura de portas para eu ter um ambiente que me acolhesse. Foi o primeiro lugar em que tive a sensação de estar realmente tranquila. Eu chegava muito debilitada, mas não saía triste. Isso foi essencial para tudo. Aqui no Hemose, as coisas ficavam mais leves e iam além de receber uma transfusão. Eu devo muito ao Hemose e é uma sensação de estar em casa”, afirmou Júlia.
Wanna compartilha da mesma percepção. Segundo ela, o acolhimento recebido contribuiu para tornar o tratamento menos difícil. “Estamos acostumados a ir em um hospital e nos sentirmos mais uma pessoa ali. O acolhimento resume minha passagem pelo Hemose. Dou graças a Deus por ter me tratado aqui. Os profissionais conheciam minha história, perguntavam sobre a família, sobre a faculdade. É um cuidado que vai além do atendimento. Você percebe que as pessoas realmente se importam”, contou a advogada.
Apelo por mais doadores
Hoje curadas, Júlia e Wanna utilizam suas histórias para conscientizar outras pessoas sobre a importância da doação de sangue. Para elas, um dos maiores desafios é mostrar que a necessidade de sangue não está restrita a situações emergenciais. “Eu não posso doar sangue após o tratamento, mas sei a extrema importância. Salvou a nossa vida e vai continuar salvando outras. Muitas pessoas associam a doação apenas a doações específicas, cirurgias ou acidentes, mas existem pacientes que dependem de transfusões diariamente para continuar seus tratamentos. Quando fico sabendo que os estoques estão baixos, o sentimento é de tristeza”, explica Júlia.
Wanna Cruz reforça a importância da regularidade. “É um desespero saber que não posso doar e de lembrar que já passei por isso. Quem está em tratamento só quer mais um dia de vida, mais uma chance de poder viver e a doação de sangue é o que pode fazer a diferença”, pontua Cruz.
Critérios para ser um doador
Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, ter idade entre 16 e 69 anos e pesar mais de 50 quilos. O doador deve comparecer bem alimentado, portar documento oficial com foto, ter dormido pelo menos seis horas na noite anterior à doação e não ter ingerido bebidas alcoólicas nas últimas 12 horas.
Funcionamento
Os interessados em doar sangue podem ir até à sede do Hemose, localizada na avenida Professor José Bonifácio Fortes Neto, nº 400, no bairro Capucho, em Aracaju. A unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones (79) 3225-8019, 3225-8039 e pelo site hemose.se.gov.br.


