O presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), Jeferson Andrade, rebateu as críticas de que a Casa estaria retardando a realização do plebiscito que definirá a situação administrativa da Zona de Expansão, área atualmente disputada entre os municípios de Aracaju e São Cristóvão.
Durante entrevista ao radialista Carlito Neto, Jeferson afirmou que informações equivocadas têm sido divulgadas sobre o andamento do processo e garantiu que a Assembleia está cumprindo todas as exigências legais antes da realização da consulta popular.
Segundo o presidente da Alese, a Assembleia ainda não foi formalmente notificada pela Justiça Federal para dar início aos procedimentos. “Primeiro, algumas inverdades estão sendo ditas e eu não quero nominar quem está falando. Nós ainda não fomos representados pelo juiz federal. Recebemos apenas uma comunicação do prefeito de São Cristóvão, Júlio, mas nosso jurídico entende que isso não é suficiente para iniciar o processo”, afirmou.
Jeferson também destacou que a realização do plebiscito depende da elaboração de um estudo técnico de impacto, cujo custo estimado ultrapassa R$ 1,3 milhão. Segundo ele, o levantamento será realizado por uma empresa de renome nacional, contratada por meio de licitação, procedimento que demanda tempo e recursos.
“Não podemos fazer um estudo em cinco ou dez dias. Estamos contratando uma empresa de fora, de renome nacional, ao custo de, no mínimo, R$ 1,3 milhão. Precisamos realizar uma licitação, e eu sequer tenho esse recurso disponível. Já solicitei apoio ao governador do Estado. Temos um prazo que se estende por quase um ano, e estamos tentando reduzi-lo para concluir esse estudo o quanto antes”, explicou.
O presidente da Assembleia reforçou que a condução do processo será baseada exclusivamente em critérios técnicos e jurídicos, criticando o que classificou como uso político do tema. “A Alese não vai ser instrumento de populismo. A Assembleia vai ser instrumento jurídico do que está certo. Já houve um plebiscito na década de 1990 que foi feito de forma equivocada, e deu no que deu. A população sofre com essa situação há mais de 30 anos. Quando o estudo estiver pronto, dentro do prazo necessário, vamos ouvir a população e as prefeituras de São Cristóvão e Aracaju para tomar a decisão juridicamente correta, e não fazer as coisas na base do populismo”, declarou.
Durante a entrevista, Carlito Neto também questionou a avaliação de que o impasse poderia ser resolvido por meio de um entendimento político entre o governador Fábio Mitidieri, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, e o prefeito de São Cristóvão, Júlio Nascimento. O radialista ainda lembrou que existe um projeto apresentado em Brasília sobre a realização do plebiscito.
Ao responder, Jeferson afirmou que a consulta popular não representa a próxima etapa do processo e que, antes disso, é necessário definir aspectos administrativos e financeiros da área em disputa. “Fala-se muito no plebiscito, mas ele não é a próxima etapa. Primeiro, precisamos ouvir São Cristóvão sobre alguns pontos. Estarei reunido com o prefeito Júlio para definir como o município pretende tratar essa questão. Também precisamos delimitar corretamente a área, fazer estudos sobre os impactos administrativos e financeiros, definir o que ficará com São Cristóvão e o que permanecerá com Aracaju. Não se pode resolver isso apenas de forma verbal, como aconteceu no passado. É preciso planejamento, estudos e ouvir a população local”, afirmou.
O presidente da Alese reconheceu a ansiedade da população, mas ressaltou que o processo exige responsabilidade. “Eu entendo a impaciência das pessoas, mas nós fazemos aquilo que juridicamente pode ser feito”.
Ao ser questionado se aqueles que defendem a realização imediata do plebiscito estariam tratando o assunto com simplificação excessiva, Jeferson voltou a defender que o tema seja conduzido com responsabilidade, mesmo em um cenário político. “Eu sou pré-candidato a vice-governador do Estado. Quem teria mais interesse em fazer política do que eu? Mas prefiro fazer a parte técnica, correta, para que aquela população deixe de sofrer. Vamos seguir o trâmite normal, jurídico, respeitando todas as etapas do processo”, concluiu.


